FGTS pode ser descontado do salário? Verdade ou Mito?
Muitos trabalhadores se perguntam se o FGTS é descontado do salário. Este artigo desvenda se o FGTS pode ser descontado do salário, explicando a diferença entre FGTS e outras contribuições.
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FGTS pode ser descontado do salário? Verdade ou Mito?
No universo das relações de trabalho, é bastante comum surgirem dúvidas sobre os diversos valores que compõem a remuneração e os descontos na folha de pagamento. Uma pergunta frequente, que gera muita confusão, é: "o FGTS pode ser descontado do salário?".
Vamos direto ao ponto: A resposta é um sonoro NÃO! Isso é um mito.
Essa é uma dúvida muito comum porque, de fato, alguns valores são descontados diretamente do salário do trabalhador, como é o caso da contribuição para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), se aplicável. No entanto, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) opera de forma completamente diferente. Ele é um direito do trabalhador, mas não é uma contribuição feita por ele, e sim uma obrigação exclusiva do empregador.
O que é o FGTS e como ele funciona?
O FGTS foi criado com o objetivo de proteger o trabalhador demitido sem justa causa. Ele funciona como uma espécie de poupança forçada, mas que pertence ao trabalhador desde o momento do depósito. Todo mês, o empregador deve depositar em uma conta vinculada ao contrato de trabalho, na Caixa Econômica Federal, um valor equivalente a 8% da remuneração bruta (salário e adicionais, como horas extras, adicional noturno, periculosidade, insalubridade, etc.) do empregado.
Pontos chave sobre o FGTS:
Obrigação do empregador: É de responsabilidade única e exclusiva da empresa realizar os depósitos mensais.
Não há desconto: Esse valor não pode, em nenhuma hipótese, ser descontado do salário do empregado.
Cálculo sobre a remuneração bruta: Os 8% são calculados sobre a totalidade da remuneração, antes de quaisquer descontos.
Finalidades específicas: O dinheiro do FGTS não pode ser sacado a qualquer momento. Há situações específicas previstas em lei para o saque, como demissão sem justa causa, compra da casa própria, aposentadoria, doenças graves, entre outras.
Por que essa confusão é tão comum?
A confusão sobre se o FGTS pode ser descontado do salário geralmente surge pela similaridade com o INSS. O INSS, sim, é uma contribuição previdenciária que é descontada diretamente do salário do empregado, de acordo com uma tabela progressiva. Como ambos são direitos ligados ao trabalho e aparecem em demonstrativos de pagamento, é fácil para o trabalhador leigo misturar as informações.
É fundamental entender a diferença:
INSS: Contribuição do empregado (descontada do salário) e do empregador (paga pela empresa) para a Previdência Social.
FGTS: Depósito mensal feito apenas pelo empregador em uma conta do trabalhador. Não há desconto no salário do empregado.
O que diz a lei?
A Lei nº 8.036/1990, que disciplina o FGTS, é muito clara ao estabelecer a obrigação do empregador:
Art. 15. Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o vigésimo dia de cada mês, em conta vinculada, a importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e a Gratificação de Natal de que trata a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962.
A lei não prevê em nenhum de seus artigos a possibilidade de desconto do FGTS do salário do empregado. Pelo contrário, reforça que é uma obrigação do empregador fazer o depósito.
Como agir na prática se o FGTS for descontado?
Se você, trabalhador, notar em seu holerite ou contracheque qualquer rubrica indicando um desconto referente ao FGTS, saiba que isso é ilegal. Veja como você deve agir:
Converse com o empregador: Primeiramente, procure o departamento pessoal ou os responsáveis da empresa para esclarecer a situação. Pode ser um erro administrativo. Solicite a correção imediata e a restituição do valor descontado indevidamente.
Junte provas: Guarde seus contracheques, extratos bancários e qualquer documento que comprove o desconto indevido.
Denuncie: Caso a empresa se recuse a corrigir o erro ou a restituir o valor, você pode procurar o Sindicato da sua categoria, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ou a Superintendência Regional do Trabalho (SRT). Esses órgãos podem orientar e tomar as medidas cabíveis contra a empresa.
Ação judicial: Em último caso, você pode buscar o auxílio de um advogado trabalhista para ingressar com uma ação na Justiça do Trabalho, solicitando o ressarcimento dos valores descontados e, dependendo da situação, até mesmo indenização por eventuais danos.
Lembre-se: o FGTS é um direito seu e constitui uma importante reserva financeira para momentos de necessidade. O empregador tem a obrigação de depositar esse valor e jamais pode descontá-lo do seu salário. Fique atento aos seus direitos e não hesite em buscar ajuda se eles forem desrespeitados.
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