O que faz um advogado trabalhista? Guia completo do que ele resolve
Entenda na prática o que faz um advogado trabalhista: das verbas rescisórias e horas extras ao assédio, reconhecimento de vínculo e defesa do empregador — com prazos, custos e quando procurar um.
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Se você foi demitido de forma injusta, está com salário atrasado, sofreu assédio ou simplesmente desconfia que a empresa não pagou tudo o que devia, provavelmente já se perguntou: o que faz um advogado trabalhista? Este guia explica, em linguagem simples, tudo o que esse profissional resolve — para o empregado e para o empregador —, quando vale a pena procurar um e quanto costuma custar.
O que faz um advogado trabalhista, em resumo
O advogado trabalhista é o profissional especializado nas relações de trabalho. Ele atua com base na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), na Constituição Federal, nas convenções coletivas da categoria e na jurisprudência dos Tribunais Regionais do Trabalho e do TST.
Na prática, ele faz três coisas principais:
- Orienta — analisa o caso, calcula o que é devido e diz se existe direito antes de qualquer processo.
- Negocia — tenta um acordo direto com a empresa ou no sindicato, evitando anos de processo.
- Processa e defende — entra com a ação na Justiça do Trabalho ou defende quem foi processado.
Principais problemas que um advogado trabalhista resolve
1. Verbas rescisórias não pagas ou pagas errado
É o motivo número um das reclamações trabalhistas. O advogado confere se aviso prévio, saldo de salário, férias proporcionais + 1/3, 13º proporcional, FGTS e multa de 40% foram calculados corretamente e pagos no prazo legal (10 dias corridos após o fim do contrato, art. 477 da CLT). Se atrasou, cabe multa de um salário em favor do trabalhador.
2. Horas extras, banco de horas e jornada
Analisa cartões de ponto, prints, escalas e conversas de WhatsApp para provar horas extras não pagas, intervalo intrajornada suprimido, trabalho aos domingos sem folga compensatória e adicional noturno.
3. Reconhecimento de vínculo empregatício
Quando alguém trabalha como "PJ", autônomo ou informal, mas com pessoalidade, habitualidade, subordinação e salário, o advogado pede na Justiça o reconhecimento do vínculo e o pagamento de todos os direitos do período.
4. Assédio moral, assédio sexual e danos morais
Orienta como reunir provas (testemunhas, mensagens, e-mails, laudos médicos) e pede indenização, além de eventual rescisão indireta — quando o empregado "demite" a empresa por falta grave dela.
5. Insalubridade, periculosidade e acidente de trabalho
Requer perícia técnica para comprovar exposição a agentes nocivos e cobrar os adicionais devidos. Em caso de acidente ou doença ocupacional, cuida da estabilidade de 12 meses, da emissão da CAT e da indenização.
6. Estabilidade e demissões proibidas
Gestante, cipeiro, acidentado e dirigente sindical têm estabilidade. Se a demissão ocorreu nesse período, o advogado pede reintegração ou indenização do período estabilitário.
7. FGTS e seguro-desemprego
Cobra depósitos não realizados, corrige o código de saque na rescisão e resolve bloqueios do seguro-desemprego causados por erro da empresa.
8. Defesa do empregador
O mesmo profissional também atua do outro lado: revisa contratos, cria políticas internas, orienta demissões seguras, elabora acordos e defende empresas em reclamações trabalhistas — muitas vezes evitando o processo antes que ele nasça.
O que ele faz no dia a dia, passo a passo
- Consulta inicial — ouve o caso, pede documentos (contrato, holerites, cartões de ponto, TRCT, extrato do FGTS, CTPS).
- Cálculo — estima o valor devido. Você pode ter uma ideia prévia com nossa calculadoras trabalhistas.
- Tentativa de acordo — notificação extrajudicial ou negociação direta com a empresa.
- Petição inicial — se não houver acordo, protocola a ação no Tribunal Regional do Trabalho.
- Audiências — acompanha a audiência inicial, de instrução (depoimentos e testemunhas) e eventuais perícias.
- Recursos e execução — recorre quando necessário e cobra o pagamento até o dinheiro cair na conta.
Quando procurar um advogado trabalhista
- Antes de assinar a rescisão, se algo parecer errado.
- Assim que perceber atraso de salário, FGTS ou verbas.
- Antes de pedir demissão em situação de assédio (pode ser caso de rescisão indireta, que preserva seus direitos).
- Ao receber uma proposta de "acordo" da empresa, para conferir se o valor é justo.
- Se você é empregador e recebeu uma citação da Justiça do Trabalho.
Atenção ao prazo: você pode reclamar direitos dos últimos 5 anos, e tem até 2 anos após a saída da empresa para entrar com a ação (art. 7º, XXIX, da Constituição).
Quanto custa e existe opção gratuita?
O modelo mais comum é o êxito: o advogado recebe um percentual (geralmente 20% a 30%) apenas se você ganhar. Há também honorários fixos por consulta ou por contrato. Veja os detalhes em quanto custa um advogado trabalhista.
Se você não tem condições de pagar, existem caminhos gratuitos — sindicato, Defensoria, núcleos de prática jurídica das faculdades e justiça gratuita. Explicamos cada um em como conseguir um advogado trabalhista gratuito.
O que ele NÃO faz
- Não garante resultado — nenhum advogado pode prometer vitória (é vedado pelo Código de Ética da OAB).
- Não cuida de aposentadoria e benefícios do INSS — isso é área do advogado previdenciário, ainda que muitos atuem nas duas.
- Não resolve questões de servidor público estatutário, que seguem regime próprio.
Como escolher um bom profissional
- Confira o número da OAB no site do conselho.
- Prefira quem atua com frequência na Justiça do Trabalho da sua região.
- Exija contrato de honorários por escrito, com percentual e despesas claras.
- Desconfie de promessas de ganho certo ou de captação agressiva de clientes.
Você pode começar pela nossa lista de advogados trabalhistas parceiros.
Perguntas frequentes
Preciso de advogado para entrar na Justiça do Trabalho?
Em causas de até 40 salários mínimos existe o jus postulandi (você pode ir sozinho), mas na prática isso é arriscado: sem advogado você não recorre ao TST e costuma receber menos.
Quanto tempo demora um processo trabalhista?
Em média de 1 a 3 anos até o pagamento, dependendo da região, de perícias e de recursos. Acordos podem encerrar tudo em poucos meses.
A empresa pode me prejudicar se eu processar?
Retaliação é ilegal. Se você ainda trabalha lá e sofrer represália, isso vira novo pedido de dano moral no mesmo processo.
Posso trocar de advogado no meio do processo?
Sim. Basta revogar a procuração e constituir outro; os honorários já devidos pelo trabalho realizado precisam ser acertados.
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Matheus Assis Advocacia
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